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Enrico Marcovaldi: um “fotógrafo da natureza”
Postado em Biodiversidade em 17/11/2009 às 17h50
por Redação EcoD
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Enrico Marcovaldi é um dos repórteres-cinematográficos e fotógrafos mais respeitados do Brasil/Foto: Murilo Gitel/EcoD


Enrico Marcovaldi se auto-intitula um “fotógrafo da natureza”. Quando tinha entre 18 e 19 anos ele fez os primeiros cursos de mergulho, o que despertou o amor pelo mar e a paixão pelas belas imagens que ele pode proporcionar. Passadas duas décadas, Marcovaldi é hoje um repórter-cinematográfico marinho e também fotógrafo respeitado em boa parte do mundo.

As baleias Jubarte situadas na região da Praia do Forte, no Litoral Norte baiano, onde ele mora, contam com a atenção especial de Enrico Marcovaldi, um dos fundadores do instituto que leva o nome dessa espécie de mamíferos. Depois de trabalhar lá de 2000 a 2008, o também líder-parceiro da Fundação Avina resolveu abrir uma empresa, a Atlântico Sul Imagens, especializada em imagens submarinas.

Nesta entrevista para o portal EcoDesenvolvimento.org. Enrico Marcovaldi relata o seu amor pela natureza, e fornece dados interessantes de sua carreira.

EcoD: Quando é que começa esta relação tua com o mar?

Enrico Marvaldi: O que me levou a me apaixonar pelo meio ambiente, mais especificamente por essa área marinha foi o mergulho e minhas primeiras fotos submarinas. Isso aconteceu quando eu tinha entre 18 e 19 anos, quando fiz o meu primeiro curso de mergulho. Recordo que eu queria documentar as abordagens belas do que eu via, então, comecei a fotografar e a filmar. Fui convidado a documentar o Parque Nacional Marinho dos Abrolhos [ao Sul da Bahia], em 1987, quando as primeiras pessoas também começaram a se interessar por essa área, e foi quando as coisas começaram a tomar mais corpo, sentido, e dali também nasceu essa grande paixão que eu tenho pelas baleias Jubarte. É bom destacar que essa sempre foi uma atividade paralela (filme e fotografias). Eu sempre exerci uma primeira linha de trabalho para depois fazer esse trabalho de fotografia. Agora eu inverti (risos). Hoje o meu ganha-pão é com filme e fotografia.

EcoD: O senhor também trabalhou no Instituto Baleia Jubarte. Ficou lá por quanto tempo?

Enrico Marcovaldi: Isso. Fui um dos fundadores do Instituto Baleia Jubarte, principalmente aqui na base da Praia do Forte [no litoral Norte da Bahia]. Trabalhei lá de 2000 a 2008, e agora estou com uma pequena empresa que se chama Atlântico Sul Imagens, que é especializada em imagens submarinas. Produzo um banco de imagens dos principais projetos de conservação marinha aqui do Brasil, como o Tamar, o próprio Instituto Baleia Jubarte, Baleia Franca, Peixe-Boi, diversas unidades de conservação, como Abrolhos e Atol das Rocas.

EcoD: E quem são os teus principais clientes?

Enrico Marcovaldi: Meus principais clientes são os responsáveis por esses projetos de conservação. O lema da firma é “arte com informação para conservação”. Minha linha de trabalho não é voltada para o comercial, para a publicidade, mas para a conservação marinha do Brasil. Já colaborei produzindo vários documentários para empresas de TV e principais revistas do ramo, tanto no Brasil como as internacionais: O Mundo Submerso (Itália), Manchete, Mergulho, Náutica, Velejar, também participei de exposições, lancei livro. Há dois anos participei do livro Brasil: mar das baleias [em parceria com os biólogos Márcia Engel e Milton Marcondes].

EcoD: Em jornalismo, algumas redações consideram incorreto o termo cinegrafista, que seria mais adequado para o profissional que trabalha basicamente com eventos. A designação “repórter-cinematográfico” é mais usada. Enrico Marcovaldi se define como?

Enrico Marcovaldi: Eu me considero um “fotógrafo da natureza”. Nada mais.

EcoD: Quais são os principais requisitos para um bom fotógrafo da natureza?

Enrico Marcovaldi: Talento, tecnologia e, principalmente, paciência. Captar uma imagem de qualidade na natureza não é de um dia para o outro. Você precisa ficar um determinado tempo em algum lugar e entender muito do assunto. É preciso passar um período bom no local para conseguir aquela imagem que representa um comportamento bem raro do animal, além de fatores como ângulo e luz adequados. Não é questão de sorte. Às vezes a pessoa vê uma foto muito bonita, do animal se alimentando, por exemplo, e diz: esse cara tem uma sorte muito grande. Não, não é sorte. Você precisa estar lá para conseguir. Se você conseguir ficar um dia e tiver uma imagem dessas, aí sim, mas é bem difícil.

EcoD: Nesses 20 anos de carreira, quais são as imagens que mexem mais com você?

Enrico Marcovaldi: Essa pergunta é difícil (risos). Bem, conseguir captar os grandes momentos das baleias Jubarte nas profundezas é fantástico. Realmente, isso é muito emocionante. Normalmente, as pessoas as observam já na superfície. São animais de 15, 16 metros, pesando algo em torno de 40 toneladas. Além da emoção de conseguir captar uma imagem dessas, você tem uma adrenalina muito grande, mesmo que esses mamíferos sejam dóceis. No Brasil, ainda tem a dificuldade de as águas dos mares não serem muito cristalinas. Não são as condições ideais para se conseguir captar imagens como essa. Em 20 anos de trabalho, eu posso te dizer que consegui ainda pouca coisa. Fora daqui eu consegui mais. Mas essas que eu consegui me dão um grande orgulho.

EcoD: Já que o seu trabalho depende, estritamente, da conservação e preservação da natureza, imagino que o senhor deve viver um tanto preocupado...

Enrico Marcovaldi: Verdade. Nós estamos passando por um momento muito delicado em relação à preservação do meio ambiente. Nós precisamos ser a geração da conscientização ambiental. Até duas ou três décadas atrás as baleias faziam parte apenas do imaginário das pessoas. Integravam as histórias acerca dos grandes navegadores, enfim. Atualmente, com o trabalho dos institutos, dos ambientalistas do mundo inteiro, elas estão se recuperando. Isso deve ser um exemplo para todos os demais animais e ecossistemas. Apesar de vivermos numa época crítica nesse sentido, as autoridades nos últimos anos não cuidam dessa parte de meio ambiente. Quando começaram a deixar de caçar as baleias, elas passaram a se recuperar e a ocupar as antigas áreas de reprodução – um exemplo de que cuidando se tem. Eu ainda sou otimista nesse sentido. Porque o tema conservação da biodiversidade ainda é recente aqui no Brasil. Nós estamos em um processo muito veloz no que diz respeito a detonação dos ecossistemas. Espero que a minha geração, que está passando, e a dos meus filhos consiga reverter esse quadro, porque ele está no limite.

EcoD: Atualmente, o seu principal projeto é o Mares do Brasil. O que falta para viabilizá-lo?

Enrico Marcovaldi: Eu estou tentando aprová-lo junto às emissoras de televisão brasileiras. Trata-se de um programa de TV que tem a pretensão de ser uma radiografia dos nossos ecossistemas costeiros. Um programa ousado, do qual dos dez passos que eu vejo como essenciais para viabilizá-lo, eu já consegui dois. O tema é instigante. Eu fiz um projeto-piloto para esse programa que as pessoas gostam muito. Ele sintetiza bem a ideia que eu tenho para o programa. Ele já conta com potenciais patrocinadores, TVs interessadas em veicular, mas ainda estamos com os primeiros passos. Falta a aprovação dos recursos, a certeza de veiculação nas televisões, enfim. Com o apoio do líderes-parceiros da Fundação Avina nessa área de conservação marinha, certamente esse projeto vai para frente. Espero que até meados de 2010 nós já estejamos aprovando o Mares do Brasil, para que até o final do ano que vem eu já esteja captando imagens para produzi-lo.

EcoD: Tomara, Enrico. Vamos torcer. Obrigado pela tua entrevista!

Enrico Marcovaldi: Obrigado a vocês!
 


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Tags: Biodiversidade , Economia e Política , Avina
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Ver Comentários (2)  imprimir  indicar

Merecido Destaque

Comentado por José Truda em 18/11/2009 14:36

É muito bom ver espaços privilegiados como esse sendo abertos para mostrar o trabalho e o pensamento desse que é um dos profissionais de imagem da Natureza marinha mais importantes do Brasil, e que mais vem contribuindo para projetos e iniciativas de conservação.

ecritzel@hotmail.com

Comentado por EMA RITZEL em 07/09/2010 20:14

Adorei o texto.
Como tantas pessoas, sou mais uma apaixonada pelos mares e oceanos.
E nada melhor que fotografias tiradas por fotógrafos submarinos.
Aliás, se tiverem fotos dos nossos mares e oceanos, gostaria de conhecer.
Para conhecimento.
Estou pensando em criar um blog para conhecimento do que acontece nos nossos mares, através de ensaios literários sobre pesquisas marinhas e dar uma conscientização para as pessoas dos cuidados essenciais as nossas águas salgadas.
Adorei saber que dia a dia, cresce o número de fotógrafos que se apaixonam pelas águas salgadas.
Adorei.
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