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As fibras vegetais ajudam a formar as ecoplacas/Foto: CrisLeme
Qual é a finalidade de termoplásticos recicláveis quando somados a resíduos de esponjas vegetais? Bem, a princípio nenhuma, a não ser a lata do lixo. Mas no Paraguai, esses materiais ganham um destino nobre: são transformados em ecoplacas, que substituem a madeira, evitam as agressões contra o meio ambiente e ainda ajudam na construção de moradias periféricas. O projeto ecológico ganhou o prêmio “Rolex Awards 2008”, que contempla anualmente os melhores empreendimentos sustentáveis em todo o mundo.
A elaboração das ecoplacas é baseada nas embalagens de polietileno. A partir dessa matéria-prima, o processo envolve a trituração e o derretimento desse material junto com a fibra vegetal, que pode ser extraída tanto das esponjas vegetais como da Karanday, uma espécie de palmeira abundante no Paraguai. A placa passa então por uma laminação feita com uma máquina desenvolvida pelo engenheiro espanhol Pedro Padrós – mentor do projeto.
“Serve, basicamente, para substituir a madeira. É um material que se pode lavar e cortar. Ademais, é acústico, impermeável, resistente ao calor e a chuva”, destacou Diosnel Acuña, da ONG Base Ecta, que inscreveu o projeto na premiação. Segundo ele, também estão sendo construídos móveis e portas através das placas ecológicas. “A madeira está cada vez mais difícil de se conseguir, sem falar no prejuízo florestal que ela provoca, por isso acreditamos na inovação desse produto”, completou.
A iniciativa já completou cinco anos. O projeto é encabeçado por Padrós, que vive há mais de 20 anos no Paraguai. O engenheiro contou com o apoio de Elsa Zaldívar, da ONG Base Ecta, que coordenou o trabalho de desenvolvimento de cultivo da esponja vegetal. “Atualmente, conseguimos dar um novo uso aos resíduos e restos das esponjas, que são usados, principalmente, nos artigos de limpeza. Exportamos esses produtos para o Canadá e outros países da Europa”, destacou Zaldívar.
Há dois anos, moradias da periferia de Lambaré (PAR) contam com o projeto protótipo da ONG Base Ecta em suas construções, que hoje são seguras e amigas do meio ambiente, sem a utilização de madeira, uma prova de que as ecoplacas são extremamente duráveis e sustentáveis.
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